No mundo corporativo, surge a dúvida se uma linha ética e um whistleblower são a mesma coisa. Veja como os termos se relacionam.
Linha ética ou whistleblower: existe diferença?
Os conceitos estão ligados, mas não são sinônimos. Um designa o canal de denúncia; o outro, a pessoa que comunica uma suspeita de irregularidade.
O termo inglês whistleblower evoca a imagem de alguém que soa um alarme para chamar atenção a um problema.
Hoje, em geral, indica a pessoa que revela uma suspeita de irregularidade, internamente ou a uma autoridade ou outro destinatário permitido pela lei.
A linha ética é uma via pela qual essa pessoa pode registrar a comunicação. Organizações públicas ou privadas podem mantê-la, com opções de confidencialidade e anonimato definidas pelo sistema e pela legislação aplicável.
Ambos os conceitos dizem respeito à cultura de denúncia de possíveis irregularidades nas organizações ou na vida pública.
O whistleblower pode usar uma linha ética. Depois, a comunicação pode ser avaliada e, quando apropriado, investigada e tratada por um processo justo.
Existe diferença?
Sim. O whistleblower é a pessoa; a linha ética é um possível mecanismo de denúncia. Nem toda pessoa denunciante usa uma linha ética.
Uma pessoa pode usar a linha ética para relatar uma preocupação, mas isso não significa divulgação pública nem comprova automaticamente a alegação.

Canal de denúncia ou whistleblowing?
Whistleblowing é o ato de comunicar uma preocupação; o canal de denúncia é o meio utilizado.
Um sistema de denúncias pode revelar condutas que talvez violem o código interno ou a legislação aplicável.
Nas organizações, o sistema pode conectar os denunciantes a uma área independente designada, como compliance, sem enviar todos os casos à direção ou ao RH.
Os canais podem incluir formulário on-line, telefone, e-mail ou atendimento presencial. Todos precisam de regras claras para receber e tratar informações.
Uma ferramenta, por si só, não basta quando responsabilidades e salvaguardas não foram definidas.
Sem treinamento e procedimentos, as pessoas podem perder a confiança e os casos ser tratados de forma inconsistente. Recebimento, avaliação, acompanhamento, resolução, privacidade e segurança da informação são essenciais.
Diretrizes internacionais podem ajudar a desenvolver mecanismos alinhados a boas práticas reconhecidas.
Marco jurídico do whistleblowing
Diferentes leis e diretrizes buscam proteger quem comunica suspeitas de crimes ou corrupção.
Algumas pessoas denunciam assuntos de interesse público; outras relatam problemas no trabalho. As proteções legais dependem da jurisdição e das circunstâncias.
Denunciantes internos podem usar canais designados pela organização para enviar informações e solicitar acompanhamento.
As regras variam conforme o país e o setor. Entre os exemplos estão:
A Diretiva (UE) 2019/1937 estabelece padrões mínimos para proteger quem denuncia infrações do direito da UE abrangidas por seu escopo. As leis nacionais de transposição definem muitos requisitos práticos.
Nos Estados Unidos, leis como a Lloyd–La Follette Act e a Sarbanes–Oxley Act tratam de diferentes divulgações protegidas; nenhuma se aplica da mesma forma a todas as organizações.
As regras de privacidade também podem disciplinar o tratamento de denúncias e dados pessoais. O artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos protege contra interferência arbitrária na vida privada; não é uma lei completa de proteção de dados.
As organizações devem verificar as leis aplicáveis a denúncias, trabalho e privacidade antes de prometer proteção legal ou anonimato.
Para sistemas de gestão, normas como ISO 37301 e ISO 37001 podem ser relevantes. A ISO 19600 era uma diretriz anterior de compliance e foi substituída pela ISO 37301.
Um sistema de gestão pode ajudar a identificar e enfrentar riscos de compliance , mas nenhuma norma elimina a possibilidade de sanções, multas ou prejuízos à reputação.
A ISO 37301 especifica requisitos e orientações para um sistema de gestão de compliance; a organização pode buscar certificação conforme o esquema aplicável.
Sua abordagem inclui liderança, gestão de riscos, melhoria contínua e uma cultura efetiva de compliance.
A ISO 37001 trata dos requisitos e orientações para um sistema de gestão antissuborno.
Normas para canais de denúncia
Outras normas tratam de diferentes riscos laborais. A ISO 45001 aborda saúde e segurança ocupacional, enquanto regras mexicanas como a NOM-035-STPS-2018 tratam de fatores de risco psicossocial.
No México, a NOM-035-STPS-2018 estabelece requisitos para identificar, analisar e prevenir fatores de risco psicossocial no trabalho.
A ISO 37002 oferece orientações para sistemas de gestão de denúncias, inclusive recebimento, avaliação, tratamento e conclusão dos casos.
Boas práticas de whistleblowing
Quem denuncia precisa de proteção contra retaliações e informações realistas sobre sigilo e anonimato.
As organizações devem definir responsabilidades, condutas comunicáveis, critérios de avaliação e procedimentos de investigação e resposta.
As normas aplicáveis podem orientar o projeto. Um terceiro independente pode reduzir certos conflitos de interesses, mas terceirizar não garante imparcialidade nem segurança dos dados.

Linha ética da EthicsGlobal
A EthicsGlobal trabalha há muitos anos com ética e compliance e oferece serviços de recebimento e gestão de denúncias organizacionais.
Os canais disponíveis e as proteções de privacidade devem constar do contrato de serviço pertinente; nenhum sistema pode prometer anonimato absoluto em todos os casos.
Profissionais treinados podem receber denúncias e coordenar o acompanhamento segundo procedimentos definidos.
Uma linha ética pode apoiar compliance, ética e governança quando integrada à supervisão e a investigações justas.
Entre os benefícios potenciais estão:
- Maior transparência e independência institucional.
- Melhor documentação e acompanhamento das denúncias.
- Salvaguardas de segurança da informação.
- Um programa de compliance mais eficaz.
- Respeito aos direitos dos colaboradores.
- Apoio a uma gestão responsável no longo prazo.
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