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Ética na Inteligência Artificial

Como a IA funciona e quais princípios devem orientar seu uso
23 de fevereiro de 2023 por
EthicsGlobal Team

A ética na inteligência artificial ganha importância à medida que o uso cresce e essas ferramentas oferecem aplicações úteis, mas também riscos de abuso.

Inteligência artificial: como evoluiu e do que é capaz?

Em 2023, ferramentas de IA amplamente disponíveis levaram a tecnologia a novos usuários por meio de produtos gratuitos e pagos.

As empresas passaram a considerar cada vez mais a adoção da IA, sua integração aos objetivos de negócios e a confiança dos usuários.

Uma finalidade central desses sistemas é agilizar atividades humanas. Por exemplo, o modelo GPT-3 pode gerar textos para diversas tarefas, inclusive escrita criativa. Seu resultado ainda precisa ser revisado quanto à precisão, originalidade e adequação do uso.

Outros exemplos de plataformas baseadas em IA são:

  • Synthesia permite criar vídeos com avatares de IA e opções em vários idiomas.
  • Zoho Ziaé uma assistente capaz de transformar dados empresariais em informações úteis para diferentes equipes.
  • Timelyconcentra-se em medir a produtividade e ajudar equipes a entender como o tempo de trabalho é distribuído.

Essas ferramentas interagem com usuários por meio de técnicas como o processamento de linguagem natural, ou PLN.

Assim, pessoas e muitas organizações puderam explorar seu potencial em diversos setores.

Como as ferramentas de IA adquiriram capacidades tão avançadas e preditivas?

Seu desenvolvimento se apoia no processamento de grandes volumes de dados, no aprendizado de máquina e no aprendizado profundo. Veja a contribuição de cada um:

Big data

Grandes conjuntos de dados podem ser organizados e analisados por algoritmos para identificar padrões que sustentam aplicações de IA.

Mais dados não significam automaticamente resultados melhores: qualidade, relevância, privacidade e vieses também afetam a confiabilidade.

Aprendizado de máquina

O aprendizado de máquina é um ramo da IA que usa dados para melhorar o desempenho de um modelo em determinada tarefa.

Seus modelos detectam padrões e relações que podem embasar previsões ou classificações.

As organizações podem usar essas análises para orientar decisões, desde que examinem premissas e incertezas.

Aprendizado profundo

O aprendizado profundo usa redes neurais de múltiplas camadas para aprender representações a partir de dados.

O treinamento ajusta parâmetros para que o sistema reconheça padrões e faça previsões relacionadas à tarefa.

Dependendo da aplicação, pode processar textos, imagens e dados de dispositivos conectados.

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Conceitos e participantes envolvidos na ética da IA

A IA continua evoluindo e oferece oportunidades para melhorar muitos processos humanos.

Por isso, é importante definir usos adequados, evitar práticas prejudiciais e identificar responsáveis pelas decisões sobre IA.

Entre os principais conceitos e participantes estão:

IA de uso geral

Modelos de uso geral podem apoiar muitas tarefas, embora seu desempenho e suas limitações dependam do treinamento e da implantação.

Os usuários interagem por meio de prompts: instruções ou contexto que orientam a resposta.

Sistemas de IA especializados

Sistemas especializados são desenvolvidos ou adaptados para áreas como medicina, engenharia, marketing e indústria.

Suas configurações podem definir o escopo, o formato e o comportamento das respostas, mas não substituem a avaliação de especialistas.

Roboética

A roboética estuda questões morais relacionadas à criação e ao uso de robôs e sistemas inteligentes.

Os deveres em relação às máquinas continuam sendo objeto de debate filosófico e jurídico; não devem ser confundidos com direitos humanos estabelecidos.

Usuários de IA

São as pessoas que interagem com essas ferramentas. Suas necessidades, privacidade e possibilidade de contestar decisões devem orientar o projeto dos produtos.

Organizações e especialistas em IA

As organizações criam, compram ou implantam IA para melhorar produtos e processos. Capacidades maiores também exigem avaliação de riscos, governança de dados e supervisão dos resultados.

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IA e o conflito da ética

As plataformas de IA são cada vez mais usadas para resolver problemas cotidianos, mas suas vantagens não eliminam a necessidade de administrar riscos.

Organizações podem desenvolver ou adaptar sistemas de IA para usos personalizados; essas iniciativas precisam de responsabilidades claras.

Princípios éticos ajudam a definir objetivos e limites aceitáveis quando pessoas direcionam sistemas de IA a executar tarefas.

Diretrizes éticas

As diretrizes devem promover usos benéficos e reduzir discriminação, exclusão e outros danos.

Por exemplo, criar personagens ou notícias falsas para manipular um público seria um uso antiético.

Por outro lado, empregar IA para aperfeiçoar processos sustentáveis e reduzir emissões pode apoiar os valores de uma organização.

Esses exemplos mostram que as escolhas de projeto, a finalidade, os dados e a supervisão importam. Não se deve presumir que sistemas de IA tenham consciência.

As decisões humanas sobre treinamento e implantação podem tornar um sistema útil ou prejudicial; ele não escolhe sozinho um caminho moral.

Como responder aos dilemas éticos da IA?

Um ponto de partida útil é a recomendação adotada pela Conferência Geral da UNESCO em 2021.

A UNESCO reconhece que a IA pode influenciar o pensamento, as interações e as decisões humanas na educação, na ciência, na cultura e na comunicação.

Sua recomendação apresenta valores e princípios para pessoas e organizações ao longo do ciclo de vida da IA e incentiva leis, políticas e governança adequadas.

Eles incluem:

Valores:

  1. Respeito aos direitos humanos, às liberdades fundamentais e à dignidade humana.
  2. Prosperidade do meio ambiente e dos ecossistemas.
  3. Diversidade e inclusão.
  4. Sociedades pacíficas, justas e interconectadas.

 Princípios: 

  1. Proporcionalidade e não causar danos.
  2. Segurança e proteção.
  3. Equidade e não discriminação.
  4. Sustentabilidade.
  5. Privacidade e proteção de dados.
  6. Transparência e explicabilidade.
  7. Supervisão e decisão humanas.
  8. Conscientização e educação.
  9. Responsabilidade e prestação de contas.
  10. Governança e colaboração adaptativas e com múltiplas partes interessadas.

Esses princípios formam uma referência internacional. Governos e organizações ainda precisam traduzi-los em salvaguardas adequadas ao contexto e revisá-las continuamente.

A EthicsGlobal espera maior adoção da IA por consumidores e organizações, com aplicações cada vez mais sofisticadas.

Por isso, é essencial estabelecer governança, procedimentos e salvaguardas centrados nas pessoas para um uso responsável.

Você leu Ética na Inteligência Artificial. Também recomendamos: Dez Princípios da Liderança Ética

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EthicsGlobal Team 23 de fevereiro de 2023
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